A Ciência dos Néscios

"QUANDO A FÉ PERDE SUA RAZÃO, TORNA-SE UMA CIÊNCIA RELATIVA"

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Quem é a Alma?




 No ano 319 d.C, nos tempos da igreja primitiva, um bispo de Alexandria chamado Áriu começou a propagar a existência de um só D-us e que Jesus era apenas seu filho, não o próprio. Afirmava ele que D-us era um grande mistério oculto em si mesmo e, que nenhuma criatura seria capaz de revelá-lo, incluindo Jesus. Dizia que o filho era diferente do Pai em substância.
 No primeiro sínodo que ocorrera em Alexandria, Ariu fora expulso da comunhão eclesiástica, porém dois concílios que ocorreram fora do Egito condenando esta decisão admitiram-o novamente junto a ordem eclesiástica. Como havia sido discípulo de Luciano de Antioquia, procurou em outros de seus discípulos apoio. Fortalecido, a luta iniciou-se e rapidamente suas idéias começaram a influenciar o Império e a fragmentar também a Igreja, o que levou Constantino a enviar Ósio, bispo de Córdoba, como mediador. Porem sem obter sucesso, Constantino então convocou o Concílio Universal de Nicéia em 325 d.C. Neste concílio foram condenadas todas as propostas arianas declarando-as heréticas, queimando todos os livros e promulgando a morte para aqueles que os preservasse.
 O fato interessante sobre as idéias de Áriu, é que elas provocaram a discussão sobre a trindade, maneira pela qual D-us, Jesus e Espírito Santo interagiam-se, tornando una sua divindade. Também sobre esta proposta usou-se o “Símbolo da Fé”, onde encontramos no seu enunciado a frase: “Creio em D-us Pai, criador dos céus e da Terra e em Jesus Cristo, seu único filho, Nosso Senhor...”, “... creio no Espírito Santo, na santa igreja Católica, na comunhão dos santos...”. Desta maneira os líderes da Igreja viram-se protegidos das supostas heresias de Áriu. Porém algo chama a atenção na doutrina cristã do século XXI. É comum ouvirmos pessoas dizerem que somos um Espírito que possui uma Alma e habita num corpo. A princípio não haveria nada de errado com esta colocação, exceto por um detalhe: Sou um Espírito. Isto é o que sou o que claramente faz distinção ao corpo, que por sua vez exerce apenas a função de hospedeiro; hospedeiro de mim mesmo, onde resido. A partir deste ponto dizemos: Possuo uma Alma. No primeiro momento Alma parece fazer parte do Espírito, que sou eu, mais claramente também, assim como o corpo, parece ser distinto do Espírito, ou seja, não é Espírito, não faz parte dele mais trabalha em função dele podendo até o destruir. Então pergunto: Sei quem é o Espírito, eu. Sei também quem é o corpo, meu hospedeiro. Quem é a Alma?
As definições para alma são diversas, entre elas encontramos sentimentos, fraquezas, dores, alegrias, vitórias, derrotas. Se for magoa dizem que é alma, se esta triste, dizemos que é alma, se esta insatisfeita também diz ser a sua alma. Nota-se que estas coisas que dizemos definir alma são apenas causa-efeito dela mais não diz quem ela é. Alma não é sentimento, sentimentos são provocados por ela. Se recorrermos à origem de seu termo, do latim é anima referente ao princípio daquilo que da vida, ou movimento ao que é inanimado, mais estaríamos caindo em contradição, se sou Espírito, sou eu a vida, não seria a Alma que daria a vida ao Espírito. Todos concordam em um ponto, Alma é independente da matéria que sobrevive à morte do corpo, eterna em linhas gerais, mais para não entrarmos na imortalidade da Alma no pensamento grego e tornarmos exaustivo este posto, continuarei com o assunto no próximo. Até lá vale apena dar uma refletida a respeito. Isso não é uma nova doutrina, é apenas para cumprir com o que diz o pregador em Eclesiastes 1.13: “E apliquei o meu coração a esquadrinhar e informar-me com sabedoria sobre tudo que se passa debaixo do céu; essa enfadonha ocupação D-us deu aos filhos dos homens, para nela os exercitar

Nenhum comentário:

Postar um comentário